Em nossa aula da última terça, nosso professor de poesia, Nelson de Oliveira, nos deu 20 minutos para que escrevêssemos um poema que nos apresentasse. Nem preciso dizer que tal exercício causou um estado de quase pânico entre a maioria dos alunos, eu inclusive. Como escrever um poema em 20 minutos?? Pior, como escrever um poema em 20 minutos sendo que NUNCA escrevi um só poema em minha vida??? E, o pior de tudo, como escrever um poema em 20 minutos dizendo QUEM SOU????
É engraçado o que uma "leve pressão" é capaz de fazer. Diante da tarefa que nos foi dada, e frente ao medo de fracassarmos justamente na primeira tarefa proposta de "bate-pronto" no curso, TODOS os alunos conseguiram escrever o tal "poema de 20 minutos". Alguns deles, inclusive, escreveram pequenas preciosidades, em vista do tempo limitadíssimo e da dificuldade da tarefa.
Eu, por outro lado, se não escrevi nenhuma obra-prima, acabei por perceber uma coisa sobre mim mesma que, não fosse a exigência de ter de me apresentar em forma poética e em 20 minutos, provavelmente levaria muuuito tempo para perceber: que sou, no fundo, uma existencialista!
Que não acreditava em Deus, pelo menos no sentido mais estrito, isso já sabia. Assumi a arte como religião, e é por meio dela - de todas as suas manifestações - que "me religo" com o supremo da vida. Mas confesso que não sabia que tinha uma visão tão Sartreana da minha própria vida.
Abaixo, coloco o tal poema introdutório, e aproveito para pedir aos colegas que me ajudem a aprimorá-lo, nossa próxima tarefa, a qual confesso que estou tendo dificuldades em executar. (Essa versão já é a terceira, mas mesmo assim continuo achando que há muito o que melhorar nela).
IDENTIDADE
Aquilo que sou,
Confesso, não sei;
Apenas que um dia não fui
E - cedo ou tarde - não mais serei.
Em meio a esses dois não-seres
Dia após dia, vivo
meu ser.
O que sou?
A resposta,
Se um dia a tiver,
Não me caberá mais viver.
Aquilo que sou,
Vivo para aprender.
As aventuras de uma aprendiz de si mesma em busca de seu próprio País das Maravilhas
DISCLAIMER
Este blog não tem pretenções literárias. Todos os textos postados aqui são produto de uma mente um tanto inquieta e, como tal, em constante busca de respostas para as inúmeras perguntas que teimam em surgir sem serem convidadas. Leitores que caírem, propositalmente ou não, nesta toca devem, portanto, abster-se de julgamentos de valor e tentar ler esses pequenos posts sem preconceitos...
Este blog não tem pretenções literárias. Todos os textos postados aqui são produto de uma mente um tanto inquieta e, como tal, em constante busca de respostas para as inúmeras perguntas que teimam em surgir sem serem convidadas. Leitores que caírem, propositalmente ou não, nesta toca devem, portanto, abster-se de julgamentos de valor e tentar ler esses pequenos posts sem preconceitos...
segunda-feira, 16 de junho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
Coisas que fazemos por amor
Não é fácil amar quem é diferente de nós. Se é verdade que os opostos se atraem, também é verdade que as diferenças tornam a convivência difícil, e o que atraiu duas pessoas pode, por fim, acabar por separá-las.
A pessoa que amo é oposta a mim: gosta de baladas, de aventurar-se, de superar seus limites físicos, é maratonista, pedala, faz corrida de aventuras; eu, só gosto de correr pro sofá assim que chego em casa do trabalho.
Mas pra amar é preciso estar perto, compartilhar as coisas de que o outro gosta. Então, no fim de semana passado, saí um pouco do sofá e de minha zona de conforto pra estar junto de quem amo.
Viajamos de madrugada, nos perdemos numa estrada de terra à uma da manhã, escalei pedras, subi e desci montanhas, e ontem mal conseguia andar. Para meu amor, isso foi fichinha, podia fazer isso todos os dias. Pra mim, foi uma superação. E não somente física, embora tenha exigido muito dos meus destreinados mús
culos e coração.
A pessoa que amo é oposta a mim: gosta de baladas, de aventurar-se, de superar seus limites físicos, é maratonista, pedala, faz corrida de aventuras; eu, só gosto de correr pro sofá assim que chego em casa do trabalho.
Mas pra amar é preciso estar perto, compartilhar as coisas de que o outro gosta. Então, no fim de semana passado, saí um pouco do sofá e de minha zona de conforto pra estar junto de quem amo.
Viajamos de madrugada, nos perdemos numa estrada de terra à uma da manhã, escalei pedras, subi e desci montanhas, e ontem mal conseguia andar. Para meu amor, isso foi fichinha, podia fazer isso todos os dias. Pra mim, foi uma superação. E não somente física, embora tenha exigido muito dos meus destreinados mús
culos e coração. Não foi só na estrada de terra que me perdi nesse fim de semana. Também me perdi um pouquinho de mim mesma, do meu "eu" egoísta e acostumado a fazer só o que gosto. Acho que amar também é isso, se perder pra poder encontrar o outro.
E até que uma aventurazinha de vez em quando é bom!!...
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Condutas de risco
Uma grande amiga minha escreveu recentemente em seu blog que minha estória "o quarto do espelho" a fez pensar nas escolhas que ela fez até hoje e até sobre questões dos papéis que ela tem assumido em sua vida. Além da honra e do incrível sentimento de realização que senti, pelo fato de algo que escrevi ter provocado tamanho impacto na vida de alguém de quem gosto, o texto dela, por sua vez, veio ao encontro de uma questão em que vinha pensando desde que vi um filme, no domingo, sobre a coragem de escolhermos nosso destino. O título original do filme é simplesmente "Michael Clayton", nome do protagonista. Como não poderia deixar de ser, o título em português tinha que ser mais "mercadológico", e a opção escolhida foi "conduta de risco". Mas, diferentemente de vários casos conhecidos, achei que desta vez a escolha do título foi feliz.
O herói Michael Clayton tem uma jornada extremamente difícil. Em dado momento do filme, tem que escolher entre continuar desempenhando um papel para o qual foi escolhido pela empresa
onde trabalha, e receber dessa empresa um empréstimo que lhe salvará a reputação e, quem sabe, até a vida; ou seguir o caminho que um colega (mentor?) seu, pivô da trama, lhe apontou como sendo o caminho certo, e que ele sente em seu interior que é o que deve fazer, e perder o emprego, o empréstimo e a vida que levou nos últimos 10 ou mais anos. Em dado momento do filme, enquanto tenta convencer o colega a se internar em uma clínica para maníacos depressivos, ele diz a esse colega "Eu não sou o inimigo", e ouve em resposta uma pergunta, "então quem é você?". Perguntinha difícil de responder em qualquer circunstância, mas ainda mais difícil no caso do protagonista.
É claro que, como em todo bom filme hollywoodiano, o herói acaba optando por renegar o trabalho sujo que fazia para a empresa e, ao perder o emprego e o empréstimo de que tanto precisa, na verdade ganha algo muito mais precioso: a vida que ele realmente escolheu, com tudo o que isso implica, além da sensação inigualável de ter ajudado centenas de pessoas que haviam sido prejudicadas pela grande empresa de produtos agrícolas que sua firma defendia.
A jornada desse herói me fez pensar nas escolhas que fazemos e nos papéis que assumimos, normalmente por pressão de nossos pais, colegas, patrões, e da sociedade em geral, ou por medo mesmo, ou ainda por comodismo. Às vezes, sem mesmo nos darmos conta. E, mesmo que não tenhamos uma dívida de US$80.000 como Michael Clayton, nunca é fácil nos despirmos desses papéis e tomarmos as rédeas de nossas vidas (minha amiga que o diga!). Mas a recompensa, o elixir que vem com esse desnudar, quando finalmente assumimos o risco e conseguimos ser, nem que seja um pouco só, verdadeiros a nossa essência, certamente vale todo o medo que passamos no processo.
Nem sempre é fácil detectar quais são nossas condutas de risco. Na minha vida, até hoje, consegui perceber algumas; corri alguns riscos, e algumas vezes eles valeram a pena e voltei para casa com meu elixir. Outras são mais difíceis de assumir, mas continuo tentando.
E você, sabe qual são as suas condutas de risco?
P.S. É interessante notar que o ator do filme, George Clooney, que, embora lindo, nunca foi tido como bom ator, também assumiu uma conduta de risco ao deixar a câmera focalizar seu rosto por vários minutos na tomada final, enquanto a expressão do personagem ia lentamente se modificando para espelhar a transformação pela qual passara. Pessoalmente, acho que esse risco valeu a pena!
O herói Michael Clayton tem uma jornada extremamente difícil. Em dado momento do filme, tem que escolher entre continuar desempenhando um papel para o qual foi escolhido pela empresa
onde trabalha, e receber dessa empresa um empréstimo que lhe salvará a reputação e, quem sabe, até a vida; ou seguir o caminho que um colega (mentor?) seu, pivô da trama, lhe apontou como sendo o caminho certo, e que ele sente em seu interior que é o que deve fazer, e perder o emprego, o empréstimo e a vida que levou nos últimos 10 ou mais anos. Em dado momento do filme, enquanto tenta convencer o colega a se internar em uma clínica para maníacos depressivos, ele diz a esse colega "Eu não sou o inimigo", e ouve em resposta uma pergunta, "então quem é você?". Perguntinha difícil de responder em qualquer circunstância, mas ainda mais difícil no caso do protagonista.É claro que, como em todo bom filme hollywoodiano, o herói acaba optando por renegar o trabalho sujo que fazia para a empresa e, ao perder o emprego e o empréstimo de que tanto precisa, na verdade ganha algo muito mais precioso: a vida que ele realmente escolheu, com tudo o que isso implica, além da sensação inigualável de ter ajudado centenas de pessoas que haviam sido prejudicadas pela grande empresa de produtos agrícolas que sua firma defendia.
A jornada desse herói me fez pensar nas escolhas que fazemos e nos papéis que assumimos, normalmente por pressão de nossos pais, colegas, patrões, e da sociedade em geral, ou por medo mesmo, ou ainda por comodismo. Às vezes, sem mesmo nos darmos conta. E, mesmo que não tenhamos uma dívida de US$80.000 como Michael Clayton, nunca é fácil nos despirmos desses papéis e tomarmos as rédeas de nossas vidas (minha amiga que o diga!). Mas a recompensa, o elixir que vem com esse desnudar, quando finalmente assumimos o risco e conseguimos ser, nem que seja um pouco só, verdadeiros a nossa essência, certamente vale todo o medo que passamos no processo.
Nem sempre é fácil detectar quais são nossas condutas de risco. Na minha vida, até hoje, consegui perceber algumas; corri alguns riscos, e algumas vezes eles valeram a pena e voltei para casa com meu elixir. Outras são mais difíceis de assumir, mas continuo tentando.
E você, sabe qual são as suas condutas de risco?
P.S. É interessante notar que o ator do filme, George Clooney, que, embora lindo, nunca foi tido como bom ator, também assumiu uma conduta de risco ao deixar a câmera focalizar seu rosto por vários minutos na tomada final, enquanto a expressão do personagem ia lentamente se modificando para espelhar a transformação pela qual passara. Pessoalmente, acho que esse risco valeu a pena!
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